Erli Schneider Costa

Logo na primeira aula já fiquei impressionada com a forma como passei a entender os acontecimentos e a relação entre realidade, nossos quase “devaneios mentais” sobre a realidade e o agir no “piloto automático”. Foi como se, magicamente, eu passasse a entender algo que vinha tentando compreender já há muito tempo. A prática da almofada me deixou realmente realizada e, se o curso terminasse ali, já compensaria o investimento. 

Na continuidade das aulas e com as práticas semanais fui experimentando outras sensações que jamais havia experimentado, comecei a prestar atenção no meu corpo, nas reações em diversos momentos, passei a tentar respirar antes de agir, a identificar as reações controladas pelo “piloto automático” e a tentar de certa forma a tomar o controle das minhas ações de maneira consciente.  Eu uso o verbo tentar por que tenho percebido que tudo isso não é fácil, exige muita dedicação e força de vontade. É doloroso em alguns momentos, mas na maior parte das vezes ao final das práticas a sensação é indescritível e interpreto como um avanço interno de autoconhecimento.

Incorporei as práticas na minha vida e continuo praticando todas as noites antes de dormir pois este foi para mim o melhor momento para as práticas formais. A prática que melhor me fez perceber que tudo realmente é transitório foi a das emoções. Já na primeira atividade algumas emoções do passado que ainda “machucavam” e despertavam reações automáticas já foram suavizadas porque pude entender o que era realmente a emoção real e o que era imaginação. Pude perceber o quanto ficar “remoendo” faz com que não consigamos seguir em frente.

Para controlar um pouco as ações imediatas e repetitivas tenho ouvido as práticas mais curtas no trabalho sempre que algo (ou alguém) me desequilibra. E as práticas informais as faço sempre que tenho oportunidade: andando de bicicleta e tentando identificar as diferentes nuances dos sons que estão nos ambientes, ao tomar banho e tentar identificar o que tenho para o momento, durante refeições, prestando atenção de verdade ao outro em uma conversa e deixando-o falar sem intromissão.

Eu poderia escrever muito mais, mas creio que estás experiências já são suficientes para mostrar a importância do autoconhecimento e o que o grupo de mindfulness fez para colaborar com isso na minha experiência pessoal. Eu incorporei, quase como um mantra a frase: “Tudo é bem-vindo, tudo é transitório” e repeti-la sempre que não me sinto bem me reconforta e faz retomar o controle da situação.  Só posso agradecer ao cosmos a oportunidade de ter conhecido a Daniela e toda a turma!!!

Erli Schneider Costa